Enxergando a si própria através da arte


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Estudante de Design conta como a vida acadêmica a ajudou a superar traumas e voltar a sonhar

Péricles Carvalho

Jamile Braga Neme diz ter caído “de paraquedas” no curso de Design. Era pra ter sido Direito, mas no meio do caminho, a visita ao apartamento decorado de uma amiga mudou suas perspectivas e abriu seus olhos para o design de interiores. Isso foi em 2009, quando cursava o ensino médio na capital, mas o vestibular só veio em 2011 e somente dois anos depois ela daria início à graduação em Design na PUC Goiás.

Nesse meio tempo, Jamile precisou adiar seus planos de entrar na universidade. Em dezembro de 2011, sofreu um acidente de carro a caminho do litoral paulista. Com graves fraturas, a estudante passou por quatro cirurgias e não pode dar continuidade aos estudos. “O acidente na reta final do ensino médio me deixou atordoada e eu quase entrei em depressão”, conta ela.

Jamile enfatiza o “quase” e explica que de uma maneira ou de outra a decisão de cursar Design a ajudou a superar traumas e continuar sonhando. As cicatrizes no rosto deixadas pelo acidente já não preocupam como antes, agora é preciso focar nos trabalhos, provas, visitas a exibições e momentos de lazer com os amigos da faculdade. As atividades do curso levaram Jamile a uma profunda reflexão sobre si própria e sobre o episódio vivido.

Ainda no primeiro semestre ela precisou produzir um autorretrato como trabalho final de uma das disciplinas cursadas e, às vésperas de outra intervenção cirúrgica, decidiu mapear as fraturas expostas pelo aparelho de raios-X em papel vegetal e apresentar o trabalho à sua turma.

“Eu me senti acolhida no curso e isso me ajudou muito. Voltei a fazer amizades e me apaixonei por Design.”

O trabalho levou os professores a fazerem releituras de seu desenho, que ganharam cores e a ajudaram a enxergar suas próprias fraturas de uma maneira diferente, sob a ótica da arte. Em um dos desenhos, feito pelo professor Rafael Fleury, o rosto de Jamile foi desenhado com tons de vermelho e uma mensagem deixada por ele diz: “A vida existe / Me reconstruo / Todos os dias / Maior e melhor”.

“Eu me senti acolhida no curso e isso me ajudou muito. Voltei a fazer amizades e me apaixonei por Design. Esse processo de amadurecimento foi importante para mim” afirma Jamile, que deseja produzir uma animação com as imagens da evolução das cirurgias que fez no rosto.

Segundo ela, o próximo passo será a iniciação científica. Jamile não conhece muito a respeito do mundo acadêmico, mas tem a ambição de realizar uma pesquisa acadêmica e explorar tudo o que a universidade pode oferecer. E assim a estudante do quarto período de Design vai desenhando sua própria história, provando que a educação é uma arma para superar adversidades e construir um futuro melhor.

Fotos: Wagmar Alves

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