Meu adeus ao Reino Unido em uma festa real

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Eu só tive ânimo de esticar a caminhada até o Palácio de Buckingham na minha quarta visita a Londres. Até então nem o Big Ben eu tinha visto… Não é falta de interesse mas em se tratando da capital inglesa sempre havia algo mais interessante acontecendo – podia ser uma festa com amigos, passeio por um parque qualquer, um curso, uma exposição, etc.

Entrar no palácio onde mora a família real então era algo que nem passava pela minha cabeça. Não sou aristocrata, meu sotaque é horrível (e o deles também) e não tenho lá grande importância que credencie um convite. Descartei a visita agendada com guia (abomino esse tipo de passeio) e me contentei em ver o prédio entre as grades dos altos portões.

Mas no dia 12 de junho, o mesmo dia em que discutiria com ingleses enquanto assistia o Brasil vencer sob a Croácia no jogo de abertura da Copa do Mundo, tudo isso mudaria enquanto eu ironicamente cruzava os altos portões como convidado de uma festa no Palácio de Buckingham.

Eu que nunca pensei em desfilar meu terno amassado pelo gramado real consegui um convite para a festa de comemoração dos 150 anos da Cruz Vermelha Britânica. Como eu consegui? Uma longa história e uma pitadinha de sorte, mas posso resumir que fui acompanhando uma amiga voluntária da organização.

Destaco três pontos da minha andança pelos jardins do palácio:

1) Mesmo se eu agendasse um desses tours pelo jardim, eu não teria a chance de vê-lo por completo, muito menos teria entrado no saguão do palácio. O jardim que começou a ser construído no século XVII é história pura, além de ser belíssimo. Assim sendo, mesmo cozinhando sob o sol quente (e nada habitual) do verão londrino, valeu a pena passar a tarde caminhando pelos aposentos reais e conferindo as estátuas e construções.

2) MUITO CHÁ: Junto ao convite enviado pelo correio havia um livrinho com o programa da festa e informações adicionais, algumas muito engraçadas, como por exemplo “traga guarda-chuva ou capa de chuva”, “vista-se apropriadamente”, “não traga aparelhos eletrônicos”. Outro ponto curioso é a quantidade de chá servida. Eu sei que não deveria me impressionar tanto, mas todas as tendas serviam chá, e a realeza estima que uma média de 27 mil ‘cuppas’ são consumidas em cada festa. Não é exagero dizer que o programa da festa se resumia aos horários em que os chás eram servidos nos diferentes espaços montados pelo jardim. Duvida? Então confere o programa na foto abaixo.

3) NO PHOTOS! Os convidados podiam entrar por qualquer um dos portões do palácio e, segundo o programa, tirar foto estava expressamente proibido durante o evento. Bem… a proibição não inibiu os milhares de convidados que começaram a disparar seus smartphones em todas as direções, fotografando tudo o que era possível. Ver os outros tirando fotos foi a deixa necessária para que eu e minha amiga começássemos uma sessão fotográfica durante a caminhada pelo jardim.

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A turbulenta chegada: confundimos as entradas e pedimos o taxista para ir “o mais rápido possível”. É Londres, é uma festa real, e não podemos nos atrasar!
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A frente do palácio com automóveis e outros materiais utilizados pela Cruz Vermelha
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São servidos cerca de 25 mil pedaços de bolo…
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… e mais de 20 mil sanduíches

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O palácio visto pelos fundos

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Ah, não posso me esquecer que era uma festa real… com direito a orquestra, hino e, é claro, a presença de integrantes da família real. Príncipe Charles foi o enviado da vez e me pareceu bem simpático. Confesso que fiquei com pena dessa família, porque deve ser muito difícil passar o dia todo apertando mãos e se esforçando ao máximo para ser sociável. E apesar da grande quantidade de pessoas no local (incluindo mulheres de chapéus que mais parecem cupcakes…) , ele estava acessível e saudava todos os que pacientemente esperavam nas longas filas. Eu preferi sair para comer algo e descansar sob as árvores milimetricamente plantadas no quintal da rainha.

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O príncipe Charles cumprimenta os convidados. Haja paciência!

Apesar de não ter nenhuma empatia pela família real britânica, foi interessante estar ali e poder conferir as tradições reais. Também passou pela minha cabeça que essa pode ter sido minha única chance de ir a uma “festa real” em Buckingham. E mesmo com os protocolos chatos e tendo que beber chá durante o dia todo, pude dar boas risadas e conhecer livremente todos os cantos do jardim.

Somos “caras de pau” mas não a ponto de tirar fotos dentro do saguão do palácio (onde a segurança é reforçada), mas como disse minha amiga, foi ótimo sair de lá pela porta da frente observando os turistas espremidos entre as grades do lado de fora. Foi como se esquecêssemos por algumas horas que voltaríamos de metrô para um albergue barato e no outro dia pegaríamos um voo na classe econômica, com escalas e desconforto… enfim, voltaríamos a ser a plebe.

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Thanks Camy Roch for the invitation and the photos. We had an amazing time catching up at Beth’s Garden.

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