O desafio de escrever (bem) em Inglês

tumblr_n5tx4oErKU1qlonozo1_500Com o deadline da dissertação se aproximando, preparação para voltar ao Brasil por um período e depois voltar para a Europa eu acabei refletindo sobre um tema central para qualquer brasileiro que sonha em ter uma carreira no exterior: fluência na escrita em inglês.

Sim meus caros, depois de muitos anos de estudo e por ser profissional de Comunicação que vive do que escreve e comunica, este é um assunto relevante sob o qual tenho gastado muita energia ultimamente. Muito antes da minha experiência no UNICEF, percebi que meu texto poderia e deveria ser melhorado – por isso pedi meus chefes que fossem críticos e me mostrassem os erros para que eu pudesse evita-los no futuro.

É a mesma lógica da escrita em português, uma vez que sempre estamos em busca de aperfeiçoamento. Mas escrever em uma língua estrangeira muitas vezes envolve insegurança e isso pode gerar bloqueios e problemas para desenvolver tarefas cotidianas no trabalho/estudos.

No meu caso, essa questão tem me levado a analisar artigos online, tentar compreender as estruturas da língua e com humildade aprender com os erros e as edições. Soma-se a isso o fato de que não tenho muito medo de errar e isso acaba funcionando como um antídoto contra a insegurança. Vivendo no Reino Unido, onde a língua é deveras complexa, também ajudou muito no processo.

Mas isso não bastava e eu fui então em busca de respostas de outros profissionais da área de Comunicação.

No primeiro instante me deparei com uma palestra TED e um artigo da escritora americana Elizabeth Gilbert relatando seus fracassos de uma década e suas tentativas de se firmar como escritora. Ela – americana – explica que defendia seus textos ainda que fossem duramente criticados e prosseguia sempre aprendendo com os erros e buscando maneiras de se aperfeiçoar como profissional.

“O que eu estava tentando dizer aqui é a mesma coisa que venho dizendo para as pessoas que desejam viver vidas criativas – você deve permitir que seu trabalho e também você seja imperfeito” – Elizabeth Gilbert.

Não acho que Gilbert tenha dito isso defendendo a mediocridade mas, por outro lado, ela compreende que atividades criativas (nesse caso a escrita) precisa ser aperfeiçoada e isso só acontece com tempo e dedicação. Isso não quer dizer que eu ou você só estaremos 100% prontos pra escrever após 30 anos de prática e, por isso mesmo, precisamos compreender, trabalhar e respeitar nossas limitações.

Quero deixar claro aqui que não conheço a fundo a obra de Gilbert (pra quem não sabe ela é a autora do best seller açucarado ‘Eat, Pray, Love’), mas julguei após ver sua palestra no TED que a honestidade com que ela fala sobre seu ofício é interessante, principalmente por dar ênfase as inseguranças e temores.

Bem, ela é fluente em inglês e ainda assim teve inúmeros percalços – então porque seria diferente comigo (?), pensei.

Essa tal insegurança também me levou a fazer a mesma pergunta a outros profissionais de comunicação – brasileiros – em relação a escrita em inglês. Uma das minhas inspirações é sem dúvidas a jornalista Fernanda Santos, baiana, e atual editora do The New York Times em Phoenix. 

Sobre melhorar a escrita em inglês ela me disse:

“A caminhada do estrangeiro no exterior é sempre mais árdua por causa da falta de fluência completa no idioma, mas você parece estar no caminho certo. Porque inglês escrito só se aprende mesmo na prática. Minhas primeiras matérias em inglês são meio patéticas, mas foram muito importantes para o meu aperfeiçoamento, pois assim entendi, pouco a pouco, onde e como melhorar.

Não há fórmula ou truque. Continue lendo, continue tendo humildade para aceitar as críticas como oportunidade de aperfeiçoamento e seja paciente. Esse é un processo às vezes um pouco demorado. Esse é um processo às vezes um pouco demorado.

Também não acho que exista um caminho ‘X’ para adquirir fluência escrita e não acredito que as escolas de idiomas consigam suprir essa deficiência – até porque os cursos de inglês no Brasil focam muito mais na fala do que na escrita. 

  • Qual é o caminho?

Bem, escrevendo minha dissertação e me preparando para um trainee em Outubro eu percebo que o principal é tentar, ter paciência, errar e continuar tentando. Certa vez minha professora da Cultura Inglesa, Mila Navarro, disse algo interessante: “aprender uma língua estrangeira é dedicar-se todo dia a aprender algo novo”.

  • Como competir com profissionais nativos?

Esta é outra questão interessante e bastante complexa. Quando fui selecionado para o estágio no UNICEF fui entrevistado pela chefe de Comunicação, que é britânica. No final dos três meses no Camboja perguntei o que a levou a me selecionar e ela disse que foi minha pró- atividade. Achei interessante. A Fernanda também compartilhou algo interessante, que é o fato de ser estrangeiro e vir com uma bagagem diferenciada e um jeito peculiar de enxergar os fatos. Isso é vital para o jornalismo e outros profissões de cunho criativo.

Além de que é importante que o jornalista/comunicador consiga entregar sua mensagem de modo simples e objetivo o que, de fato, favorecesse estrangeiros que na maioria das vezes vão fugir de jargões e termos complexos, como argumenta um dos meus professores do mestrado.

Compartilhe sua história sobre como têm aperfeiçoado a escrita em inglês ou em outra língua estrangeira! 🙂

OBS: Ainda não dominei a acentuação no Mac. Caso você saiba como colocar ‘crase’, por favor, avise!

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One thought on “O desafio de escrever (bem) em Inglês

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