Carta de Budapeste – Novembro de 2012

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É que a cada destino, a cada viagem e descoberta, eu percebo que o tempo passa e há sempre algo a mais para aprender.

Aprender com o ritmo da vida de pessoas comuns que cruzam as ruas, que sorriem e dão informações para o peregrino que passa. Os museus, livros e a arquitetura.

De Budapeste terei lembranças de um povo sofrido – vítimas da opressão nazista e comunista. Um povo que viu muitos dos seus serem encaminhados para campos de concentração e trabalho forçado.

O horror da história contemporânea, das gerações remanescentes que não perderam o brilho nos olhos e continuam a sorrir, sem esquecer o passado. Na verdade, essa é a equação perfeita: viver o presente levando o passado em consideração e tendo no futuro um horizonte pacífico e melhor.

De certo modo me vejo condicionado à incerteza do futuro. Temo a solidão – estou localizado exatamente na fronteira entre o amor e o temor diante da vastidão do mundo. Isso me fascina, mas também traz uma certa dor.

Talvez seja a dor desses povos que passamos a conhecer, pessoas comuns em contextos distintos, com passados tão densos e um presente de aceitação e esperança. Povos levados pela enxurrada da história, nem sempre tão justa. De certo modo, quando nos abrimos para conhecer o outro, automaticamente passamos a carregar seus fardos, ainda que de modo sutil.

Desenvolvi certa sensibilidade a tudo isso: às imagens que vejo e as conversas que tenho em cada lugar desse mundo. Isso me ajuda a ter mais consciência, respeitar o próximo e acreditar que posso contribuir para um mundo melhor.

Não consigo simplesmente fechar meus olhos e viver intensamente uma juventude vazia. Não sou assim, acho que nunca serei. Invejo os conformados, os trabalhadores que entram na roda viva do sistema e se adequam perfeitamente à vida como ela é. Pagarei sempre o preço pela dúvida, pela curiosidade e pelo inconformismo.

A cada novo horizonte que cruzo as dúvidas e os questionamentos aumentam. Isso poderia produzir muita confusão mas, na verdade, eu me sinto melhor sempre que tenho algo a responder, sempre que preciso pensar sobre meu próprio destino e a história que estamos escrevendo a cada dia. Tenho aprendido que essas tais respostas quase nunca vem de modo claro e direto. Na maioria das vezes, elas nunca aparecem. Aprendi a conviver com isso também – não há resposta para tudo debaixo do céu.

Sempre revisito a máxima de que eu sou eu e minhas circunstâncias. Posso dizer que eu sou eu e o mundo que me cerca – sem barreiras, fronteiras ou passaportes. Um mundo ideal, feito de pessoas que por mais diferentes que sejam guardam tantas semelhanças.

Essa é minha carta confusa, meus pensamentos truncados. Meus escritos de Budapeste nesse novembro frio.

READ MY POST “BUDAPEST, I LOVE YOU” + PHOTOS, HERE.

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