Onde estão os partidos?

Para a cientista política e professora da UFSCAR Maria do Socorro Braga, ficar “em cima do muro” em relação ao caso Cachoeira que abala as estruturas da política goiana pode trazer sérios danos às legendas. Ela também afirma que surpreende a postura do PSOL em não avaliar o caso do vereador Elias Vaz e diz que a justificativa de que o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) é vítima do ódio gratuito de Lula é negativo para o próprio governador.

Diante de tantas denúncias e tantas gravações, qual seria a postura ideal dos partidos políticos?

Normalmente eles teriam de se manifestar, porque quanto maior é o número de lideranças políticas envolvidas no caso, mais complicado fica. Espera-se que cada legenda tome uma postura, e se preciso utilize-se do horário de televisão para se explicarem à sociedade ou ao menos justificarem que determinados políticos agiram independentes à postura da legenda. Agora isso também é complicado, os parlamentares são porta-voz dos partidos, e isso tem reflexos.

Os partidos deveriam tomar uma postura mais pró-ativa na investigação e afastamento desses quadros?

Sem dúvidas. O partido tem que investigar e se colocar à frente no processo. Principalmente o PSDB, que pelo que me parece é o mais envolvido e de certo modo é uma grande organização nesse país. Mas no campo da realidade eles não vêm a campo, não falam justamente para se distanciarem disso tudo, de todos esses problemas.

A atitude do DEM em expulsar Demóstenes acaba se tornando uma pressão para que os outros partidos ajam nessa mesma linha?

Não. Não acho que o exemplo do DEM, que também demorou pra tomar uma atitude, deva pressionar os outros partidos. Primeiro porque o Demóstenes é a figura central disso, é o cabeça do esquema no poder. Por outro lado temos também toda a discussão em relação ao descrédito da instituição pública que é o Senado, e isso tem influência também. O DEM foi o partido mais afetado, mas não deve servir de exemplo.

Em Goiás o PSOL tem dificuldade de responder à altura em relação ao envolvimento do vereador Elias Vaz e parece que o partido tem mais facilidades em enxergar os problemas envolvendo outros partidos. Isso é comum à esquerda?

Não é, e na maioria das vezes são os partidos de esquerda é que colocam seus pares para julgamento. Muito me admira essa postura do PSOL ai, mas tem também questões envolvendo divisões, os que são pró e defendem o político e os que são contrários, mas mesmo assim devem decidir algo. Talvez essa seja uma tentativa de manter o pragmatismo eleitoral conquistado, mantendo o discurso de anos, e que pode ser derrubado com um caso isolado desses.

Pesquisa Serpes divulgada nos últimos dias mostra que 25,2% dos eleitores goianienses pretendem votar nulo na próxima eleição. Esse caso e a maneira como essas instituições políticas lidam com tudo isso tem influência direta nesse dado?

Com certeza, até porque são muitos os partidos envolvidos. Quer dizer, esses números mostram um impacto desse escândalo todo neste exato momento, mas é preciso esperar. Pode ser que os partidos mudem de atitude, saiam dessa inércia. Com todos esses indicativos e com maior pressão popular nas redes sociais, por exemplo, a tendência é de que os partidos revejam suas posturas e se coloquem mais em relação ao caso.

Caso venham à tona mais denúncias envolvendo os quadros goianos do PSDB, a executiva nacional poderá sacrificá-los para salvar a legenda?

Isso é interessante e complexo. Na minha avaliação o PSDB nacional está fragilizado e é mais forte apenas no estado de São Paulo. No Ceará o partido minguou, tem o Anastasia e tudo, no Rio é um horror. Diante desse quadro, Goiás parece que é o 3° Estado com maior força do partido, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. É um reduto importante, e por isso é difícil que a nacional tome alguma postura mais forte caso as coisas venham a piorar. Por outro lado, se o partido se calar, também pode pegar muito mal, então há riscos dos dois lados e isso em confronto com a postura sempre firme da presidente Dilma. Eu não acredito que há interesse em perder força em Goiás punindo um ou outro, até porque 2014 está em jogo.

Governistas goianos tem adotado a justificativa de que trata-se de uma perseguição pessoal do ex-presidente Lula a Marconi Perillo em relação à Monte Carlo. Como a senhora avalia esse discurso?

Com certeza isso pode enfraquecê-lo, Marconi sai pior disso porque está mais frágil nesse contexto. Esse discurso, de certo modo, é remontado por aqui com a premissa de que o PT quer prejudicar o Gurgel, quer esconder o mensalão. Esse disse e me disse é muito ruim. Trazer o mensalão de volta não faz sentido para a população em geral, está muito distante. E no caso do Marconi, ir contra Lula, com essa onda de popularidade que o ex-presidente tem, e o imaginário que se criou entorno dele, não parece ser uma briga a se comprar.

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