#FORAMARCONI: Os jovens estão nas ruas

Uma conversa no último sábado sobre os movimentos de ocupação de ruas e praças desencadeados após o estopim da Primavera Árabe, posteriormente a leitura de um artigo sobre o novo livro de Noam Chomsky, Ocuppy.

Nesse meio tempo, me encontrei com jovens entusiastas de um movimento contra a corrupção em Goiânia, vi inúmeros ensaios fotográficos de pessoas nas ruas, marchando e gritando palavras de ordem na urgência de que algo efetivamente mude. Um pouco depois eu mesmo estive presente para acompanhar o movimento e ver como a Geração Y está exigindo os seus direitos.

É preciso enfatizar que o movimento que já teve 4 edições na capital de Goiás tem como objetivo principal pressionar os legislativos para uma investigação mais detalhada do suposto envolvimento do governador do Estado Marconi Perillo, citado em pelo menos 270 ligações envolvendo integrantes da quadrilha do bicheiro Carlos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo.
Me lembrei de quando estava em Toronto estudando as tensões entre o local e o global – matéria interessante, cheia de debates e discussões que norteiam o conceito de globalização. Lembro-me de em um determinado dia ouvir o professor dizer em um tutorial que “as manifestações que começaram a ocorrer localmente (em especial no Oriente Médio desde 2010) se tornariam verdadeiros movimentos globais”, porque há algo de diferente no mundo: contexto de crise, redes sociais, classe média desnorteada .

Ele disse mais: “há uma urgência em mudar as coisas, pois não é possível continuar como está”. Foram também naqueles dias que na mesma universidade em que eu estudei nasceu a Marcha das Vadias (Slutty Walk), seguido do Occupy Wall Street e outros movimentos que ganharam força naquele período. Eis o mundo em sua mais nova configuração, cheio de tensões interconectadas, fotografadas, gravadas e compartilhadas. Cheias de “likes” no Facebook.

Digo tudo isso para ressaltar que foi bom ouvi-lo dizer aquilo; foi bom ter pensado nisso enquanto eu acompanha as manifestações das últimas semanas. Há por aqui uma ampla articulação de jovens universitários, entidades de classe e população em geral – todos resolveram tomar as ruas em resposta a um grande escândalo político que está vindo a tona aos poucos, e varre praticamente todos os seguimentos da política estadual.

Quando me encontrei com alguns entusiastas da marcha, fiquei muito feliz e percebi que há um ambiente de reflexão e debate (apartidário) sendo criado em meio ao caos político. Isso é citado por Chomsky como um fator positivo do Occupy nos Estados Unidos, pois os jovens acabam criando comunidades, interagindo no mundo “real” e não apenas no campo virtual.

Naquela ocasião em que o professor dizia que novos movimentos se espelhariam no que estávamos vendo acontecer nos países árabes, eu estava cético, acreditando que a juventude brasileira dificilmente iria às ruas – os goianos então? Nunca! Mas vejo que ele estava certo, e aqui estou vendo a profecia se cumprir no coração do país, onde o tradicionalismo e os valores ainda são resguardados, e manifestantes e ativistas são chamados de baderneiros.

 

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