“Governo deve ser facilitador, e as redes sociais estão ai para isso”, diz Rizzo

Convidada pelo IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado em novembro na PUC do Rio de Janeiro, para falar sobre as redes sociais no contexto político, Rizzo Miranda, diretora executiva da agência FSB Comunicações, especializada em imagem e reputação das organizações, relatou a importância das ferramentas digitais e a forma como ele deve ser utilizada por instituições, governo e agentes políticos.

Seu exemplo de atuação foi o uso das redes pelo governo do Rio de Janeiro no contexto da ocupação do Complexo do Alemão no final do ano passado. A criação de hashtags como “#paznoRIO” foram amplamente divulgadas e chegaram a milhões de mensagens no twitter criando uma mobilização nacional. Além disso, o governo passou a realizar diariamente conferências nas redes sociais para esclarecimentos à população. Pelo projeto, a agência ganhou este ano o Prêmio Leão de Prata no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na categoria “Melhor Uso de Mídia Social”.

Ao jornalista Péricles Carvalho, a profissional de Comunicação ressalta que muitos políticos realizam trabalhos nas redes sociais sem nenhum aspecto profissional, o que é negativo. “É preciso dialogar, gerar confiança e mostrar resultados”, disse ela.

*Entrevista publicada em dezembro de 2011 no jornal Tribuna do Planalto.

Péricles Carvalho – A sra. trabalha com gestão de redes sociais na esfera pública. Como é o trabalho desenvolvido junto ao governo do Rio de Janeiro?

Rizzo Miranda – É um trabalho planejado que foca em informar e dialogar com o cidadão e dar a ele informações úteis para o dia-a-dia. É uma via de conhecimento entre governo e cidadão, e para isso nós usamos todas as táticas possíveis, desde twitcams (vídeo conferências realizadas pelo Twitter), estando presente oficialmente em todas as redes, realizando eventos presenciais, como encontros de blogueiros ( através de monitoramento, o governo reuniu blogueiros contrários à instalação das Unidades de Polícia Pacificadora, UPPs, para prestar esclarecimentos em relação ao projeto).

Dar solução ali na rede para problemas como um buraco, ou durante a enchente, por exemplo, na serra carioca, dar suporte para a comunicação entre familiares. Envolve um diálogo baseado fundamentalmente em serviço, não basta falar por falar.

Para a efetivação deste tipo de trabalho é preciso tempo para que as instituições ganhem respeito e confiança junto à população. A sra. acredita que os políticos compreendem que é um processo longo?

Eu acho que começam a ter este tipo de percepção, até porque os políticos começam a chamar profissionais da comunicação para fazer este tipo de trabalho. Há uma tendência de empresas e instituições realizarem este tipo de trabalho nas redes sociais com “puxadinhos” e essa área não é um lugar de “puxadinhos”, mas sim de profissionais. Eu, para tomar uma decisão sobre o que fazer nas redes sociais, é preciso entender de comunicação. No meu time de trabalho não há nenhum profissional que não seja jornalista. É preciso tratar a informação com cuidado.

A sra. chama a atenção para a horizontalidade nas redes, com o governo se colocando no mesmo patamar que a população nas redes sociais. Qual é importância disso?

Isso é crucial. A gente já tem um histórico de compreensão de governos e políticos de cima pra baixo, eles no alto e o resto da população lá embaixo. Colocar o governo como um facilitador, muitas vezes dar a cara de alguém, um secretário ou porta-voz, nas redes sociais, faz com que neutralize as resistências e mostrem que governo é formado por gente que vai pras redes sociais dispostos a dialogar, contar algo do dia-a-dia e falando de políticas públicas também.

Em sua fala a sra destaca a atuação do governo do Rio nas redes sociais em relação à ocupação dos morros, em especial o Complexo do Alemão. Como trabalhar questões tão complexas em meio à fluidez das redes sociais?

Como eu disse, desenvolvendo planejamento e monitorando diariamente o comportamento nas redes, porque como você disse, as modificações ocorrem diariamente. Quem ontem te apoiava, agora te critica, se opõe a sua ideia. Então é preciso entender essa dinâmica e reagir a ela, muitas vezes todo o planejamento vai por água a baixo.

Ainda em relação a este meio de fluidez, como é feito o trabalho em relação aos políticos. Eles modificam suas rotas de trabalho, suas estratégias, diante do diagnóstico dos profissionais de comunicação?

Se o político ou o governo está interessado, haverá modificações. Se não houver interesse, as coisas vão começar a acontecer, o político não vai compreender o que está acontecendo e em algum momento isso vai virar uma pauta de jornal, vai pro Jornal Nacional, está em todas as mídias e cria pressões e em algum momento haverá demissões ou punições. Este tipo de trabalho de monitoramento das redes sociais não resolve, mas cria uma rede de informações muito grande, muito poderosa, que pode ajudar em relação a muitas situações.

O caso do ministro Orlando Silva Junior, por exemplo, o fato da Veja ter divulgado e feito uma série de matérias em torno disso acabou resultando na demissão dele. Até agora nenhuma prova apareceu, a informação específica não apareceu, e então, mostra que uma pressão da mídia, ai eu falo não apenas da mídia digital, que levou a uma situação. Então, se o político não está atento à esta dinâmica, ele acaba perdendo.

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